A NF-e de transferência entre filiais é a nota que acompanha a mercadoria quando ela sai de um estabelecimento da empresa para outro com CNPJ diferente, como da fábrica para o CD ou de um CD para outro. Em linhas gerais, usa CFOP do grupo 5.15x dentro do estado e 6.15x entre estados. Entre depósitos do mesmo CNPJ não há nota; mas, nos dois casos, o estoque precisa ficar visível enquanto está na estrada, e é aí que nasce a maior parte das divergências.
Antes de seguir: este artigo explica o tema em termos gerais e não substitui orientação fiscal. A escolha do CFOP, a tributação e as obrigações do seu estado devem ser validadas com o seu contador.
O problema: o palete saiu, a nota não, e o estoque sumiu
Transferir entre filiais parece a operação mais simples do armazém. A fábrica fecha o palete, o caminhão leva, o CD recebe. O problema aparece no fim do mês:
- A nota sai depois do caminhão, ou não sai. Mercadoria circulando entre CNPJs sem NF-e é risco de autuação.
- A origem baixa o saldo na saída, o destino só dá entrada quando alguém lembra. No meio do caminho, a mercadoria não está em lugar nenhum.
- O CD recebe sem conferir contra o que saiu. A falta só aparece no inventário, semanas depois, sem ninguém saber se foi na separação, no transporte ou na guarda.
- A transferência é lançada item a item, em dezenas de movimentações soltas que ninguém consegue reconciliar com a nota.
O resultado é o estoque dobrado num lugar e zerado no outro, e a equipe de inventário caçando diferença que é só documento atrasado.
NF-e de transferência entre filiais: os CFOPs em linhas gerais
A regra que importa é o estabelecimento, não o armazém. Cada CNPJ (matriz ou filial) é um estabelecimento para o fisco. Mover entre dois depósitos do mesmo CNPJ é movimentação interna; mover entre CNPJs diferentes é saída com nota.
O CFOP da transferência depende de duas coisas: se a mercadoria foi produzida pelo próprio estabelecimento ou adquirida de terceiros, e se o destino está no mesmo estado ou em outro.
| CFOP | Operação (em linhas gerais) |
|---|---|
| 5151 | Transferência de produção do próprio estabelecimento, dentro do estado |
| 6151 | Transferência de produção do próprio estabelecimento, para outro estado |
| 5152 | Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, dentro do estado |
| 6152 | Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, para outro estado |
| 1151 / 2151 | Entrada no destino: transferência para industrialização ou produção rural (mesmo estado / outro estado) |
| 1152 / 2152 | Entrada no destino: transferência para comercialização (mesmo estado / outro estado) |
Há outros códigos no grupo 5.15x e 6.15x para casos específicos, e o tratamento do ICMS na transferência entre estabelecimentos do mesmo titular mudou nos últimos anos, com a decisão do STF na ADC 49 e a Lei Complementar 204/2023. Como fica o crédito no seu caso depende do estado e das opções da empresa. Valide com o contador antes de definir o CFOP padrão da operação.
O que o 4LogOS cobre na NF-e de transferência
Aqui vale ser direto, porque faz diferença para indústria:
- O documento de transferência do 4LogOS vincula só NF-e autorizada com CFOP 5152 ou 6152.
- Notas com CFOP 5151 ou 6151 (transferência de produção própria) não são aceitas hoje no documento de transferência.
- Entre armazéns com o mesmo CNPJ cadastrado, a nota é dispensada. Se um dos lados está sem CNPJ no cadastro, a nota é exigida.
- Entre CNPJs diferentes, o sistema não move estoque sem a NF-e autorizada.
Se a sua fábrica transfere produto acabado com 5151 ou 6151, fale isso logo na demonstração para avaliarmos o seu fluxo antes de qualquer decisão.
Como fazer a transferência entre filiais sem divergência
O jeito de acabar com a divergência é tratar a transferência como um documento com etapas, e não como duas movimentações soltas. É assim que funciona a transferência entre filiais no 4LogOS:
- Crie o documento. Origem, destino e os SKUs, vários no mesmo documento. Ele também pode nascer sozinho, da OP concluída na fábrica ou de uma sugestão de transferência do MRP, sempre como rascunho para a operação revisar.
- Vincule a NF-e. A nota é emitida no módulo fiscal do próprio 4LogOS e escolhida numa lista que só mostra notas autorizadas com CFOP 5152 ou 6152. Uma nota cobre o documento inteiro.
- Separe na origem. O operador confirma a posição de cada item. Posição deixada em branco no rascunho é resolvida pela posição com mais saldo do SKU.
- Despache. No fluxo com conferência, o saldo sai da origem e vai para a posição TRANSITO do armazém de destino. As duas pontas enxergam o que está na estrada.
- Confira e guarde no destino. O destino registra a quantidade recebida por item. O recebido vai do trânsito para a posição final, e a diferença é lançada no kardex como perda em trânsito, com o motivo e as quantidades enviada e recebida.
O documento tem situação própria (rascunho, em execução, em trânsito, parcial, concluído ou cancelado), e cada item também. Item com falha fica marcado com o motivo; executar de novo retoma só o que faltou. O código da transferência (TRF-…) aparece na tela e no kardex, então qualquer movimentação leva de volta ao documento.
Transferência da fábrica para o CD
Na indústria, os paletes podem sair identificados por LPN com etiqueta SSCC (GS1): mover o palete atualiza a posição dos seriais. O lote do produto acabado carrega a genealogia da matéria-prima, e o recebimento de produção passa por conferência e endereçamento antes de virar saldo. O caminho inverso, a requisição de matéria-prima do CD para a fábrica, usa o mesmo modelo de documento. Veja também o apontamento de produção e o endereçamento de estoque.
A conta do ganho: quanto custa uma divergência de transferência
A divergência de transferência tem dois custos: o valor da mercadoria que sumiu e as horas gastas para descobrir onde ela foi parar.
Custo mensal = transferências com divergência no mês × (horas de investigação por caso × custo da hora + valor médio da diferença não recuperada)
| Variável | Seu número |
|---|---|
| Transferências por mês | ___ |
| Quantas fecham com divergência | ___ |
| Horas para investigar cada uma (inventário, ligação, conferência de nota) | ___ |
| Custo da hora da equipe | ___ |
| Valor médio da diferença que não se recupera | ___ |
Se a sua operação tem 10 divergências por mês, gasta 3 horas em cada uma a R$ 40 por hora, são R$ 1.200 só de investigação, antes de somar a mercadoria. Com o trânsito numa posição visível e a falta lançada na conferência, a investigação começa no dia em que o caminhão chega, e não no inventário. Os números do exemplo são hipotéticos.
Na animação Transferência Fábrica-CD, os indicadores de referência são zero divergência entre fábrica e CD, 60% menos tempo do fim de linha ao endereço e 100% do estoque em trânsito visível e com NF-e. São valores ilustrativos da cena.
Quando não vale a pena (ou quando ainda não resolve)
- Um único CNPJ e um único armazém. Não há transferência entre filiais a controlar.
- Transferência com CFOP 5151 ou 6151. Como dito acima, o documento de transferência do 4LogOS não aceita esses CFOPs hoje. Avalie o seu fluxo com a gente antes.
- Nota emitida fora e sem integração. Se você mantém outro ERP, o WMS do 4LogOS se integra a ele por API, e o formato é definido na implantação. Sem isso, a nota não chega ao documento.
- Destino que não confere. O fluxo em duas etapas só funciona se alguém registrar a quantidade recebida. Sem conferência, a diferença continua escondida.
Próximo passo
Se a sua divergência mora entre a fábrica e o CD, veja como funciona a transferência entre filiais no 4LogOS, com NF-e, estoque em trânsito e conferência no destino, dentro do WMS e do ERP. Os planos estão em preços. Na demo, dá para ver o palete saindo do fim de linha com LPN e NF-e até o endereço no CD.
Perguntas frequentes
Transferência entre filiais precisa de nota fiscal?
Quando os estabelecimentos têm CNPJs diferentes, sim: a saída exige NF-e de transferência. Entre depósitos do mesmo CNPJ, é movimentação interna e não há nota. Confirme o seu caso com o contador.
Qual a diferença entre o CFOP 5151 e o 5152?
Em linhas gerais, o 5151 é transferência de produção do próprio estabelecimento e o 5152 é transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, ambos dentro do estado. Entre estados, os equivalentes são 6151 e 6152. A escolha certa para a sua operação deve ser validada com o contador.
Quais CFOPs o 4LogOS aceita na transferência entre filiais?
O documento de transferência do 4LogOS vincula NF-e autorizada com CFOP 5152 ou 6152. Notas com 5151 ou 6151 não são aceitas hoje. Entre armazéns com o mesmo CNPJ, a nota é dispensada.
O que é estoque em trânsito?
É a mercadoria que já saiu da origem e ainda não entrou no destino. Sem controle, ela some dos dois saldos e só reaparece no inventário. No 4LogOS, ela fica numa posição de trânsito do armazém de destino até a conferência, visível para as duas pontas.
E se chegar menos do que saiu na transferência?
Na conferência, o destino informa a quantidade recebida de cada item. O 4LogOS leva o recebido para a posição final e lança a diferença no kardex como perda em trânsito, com o motivo e as quantidades enviada e recebida.