Logística

NF-e de transferência entre filiais: estoque em trânsito sem divergência

Quando a transferência entre filiais exige NF-e, o que significam os CFOPs 5151, 5152, 6151 e 6152 e como manter o estoque em trânsito visível até a conferência.

A NF-e de transferência entre filiais é a nota que acompanha a mercadoria quando ela sai de um estabelecimento da empresa para outro com CNPJ diferente, como da fábrica para o CD ou de um CD para outro. Em linhas gerais, usa CFOP do grupo 5.15x dentro do estado e 6.15x entre estados. Entre depósitos do mesmo CNPJ não há nota; mas, nos dois casos, o estoque precisa ficar visível enquanto está na estrada, e é aí que nasce a maior parte das divergências.

Antes de seguir: este artigo explica o tema em termos gerais e não substitui orientação fiscal. A escolha do CFOP, a tributação e as obrigações do seu estado devem ser validadas com o seu contador.

O problema: o palete saiu, a nota não, e o estoque sumiu

Transferir entre filiais parece a operação mais simples do armazém. A fábrica fecha o palete, o caminhão leva, o CD recebe. O problema aparece no fim do mês:

  • A nota sai depois do caminhão, ou não sai. Mercadoria circulando entre CNPJs sem NF-e é risco de autuação.
  • A origem baixa o saldo na saída, o destino só dá entrada quando alguém lembra. No meio do caminho, a mercadoria não está em lugar nenhum.
  • O CD recebe sem conferir contra o que saiu. A falta só aparece no inventário, semanas depois, sem ninguém saber se foi na separação, no transporte ou na guarda.
  • A transferência é lançada item a item, em dezenas de movimentações soltas que ninguém consegue reconciliar com a nota.

O resultado é o estoque dobrado num lugar e zerado no outro, e a equipe de inventário caçando diferença que é só documento atrasado.

NF-e de transferência entre filiais: os CFOPs em linhas gerais

A regra que importa é o estabelecimento, não o armazém. Cada CNPJ (matriz ou filial) é um estabelecimento para o fisco. Mover entre dois depósitos do mesmo CNPJ é movimentação interna; mover entre CNPJs diferentes é saída com nota.

O CFOP da transferência depende de duas coisas: se a mercadoria foi produzida pelo próprio estabelecimento ou adquirida de terceiros, e se o destino está no mesmo estado ou em outro.

CFOP Operação (em linhas gerais)
5151 Transferência de produção do próprio estabelecimento, dentro do estado
6151 Transferência de produção do próprio estabelecimento, para outro estado
5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, dentro do estado
6152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, para outro estado
1151 / 2151 Entrada no destino: transferência para industrialização ou produção rural (mesmo estado / outro estado)
1152 / 2152 Entrada no destino: transferência para comercialização (mesmo estado / outro estado)

Há outros códigos no grupo 5.15x e 6.15x para casos específicos, e o tratamento do ICMS na transferência entre estabelecimentos do mesmo titular mudou nos últimos anos, com a decisão do STF na ADC 49 e a Lei Complementar 204/2023. Como fica o crédito no seu caso depende do estado e das opções da empresa. Valide com o contador antes de definir o CFOP padrão da operação.

O que o 4LogOS cobre na NF-e de transferência

Aqui vale ser direto, porque faz diferença para indústria:

  • O documento de transferência do 4LogOS vincula só NF-e autorizada com CFOP 5152 ou 6152.
  • Notas com CFOP 5151 ou 6151 (transferência de produção própria) não são aceitas hoje no documento de transferência.
  • Entre armazéns com o mesmo CNPJ cadastrado, a nota é dispensada. Se um dos lados está sem CNPJ no cadastro, a nota é exigida.
  • Entre CNPJs diferentes, o sistema não move estoque sem a NF-e autorizada.

Se a sua fábrica transfere produto acabado com 5151 ou 6151, fale isso logo na demonstração para avaliarmos o seu fluxo antes de qualquer decisão.

Como fazer a transferência entre filiais sem divergência

O jeito de acabar com a divergência é tratar a transferência como um documento com etapas, e não como duas movimentações soltas. É assim que funciona a transferência entre filiais no 4LogOS:

  1. Crie o documento. Origem, destino e os SKUs, vários no mesmo documento. Ele também pode nascer sozinho, da OP concluída na fábrica ou de uma sugestão de transferência do MRP, sempre como rascunho para a operação revisar.
  2. Vincule a NF-e. A nota é emitida no módulo fiscal do próprio 4LogOS e escolhida numa lista que só mostra notas autorizadas com CFOP 5152 ou 6152. Uma nota cobre o documento inteiro.
  3. Separe na origem. O operador confirma a posição de cada item. Posição deixada em branco no rascunho é resolvida pela posição com mais saldo do SKU.
  4. Despache. No fluxo com conferência, o saldo sai da origem e vai para a posição TRANSITO do armazém de destino. As duas pontas enxergam o que está na estrada.
  5. Confira e guarde no destino. O destino registra a quantidade recebida por item. O recebido vai do trânsito para a posição final, e a diferença é lançada no kardex como perda em trânsito, com o motivo e as quantidades enviada e recebida.

O documento tem situação própria (rascunho, em execução, em trânsito, parcial, concluído ou cancelado), e cada item também. Item com falha fica marcado com o motivo; executar de novo retoma só o que faltou. O código da transferência (TRF-…) aparece na tela e no kardex, então qualquer movimentação leva de volta ao documento.

Transferência da fábrica para o CD

Na indústria, os paletes podem sair identificados por LPN com etiqueta SSCC (GS1): mover o palete atualiza a posição dos seriais. O lote do produto acabado carrega a genealogia da matéria-prima, e o recebimento de produção passa por conferência e endereçamento antes de virar saldo. O caminho inverso, a requisição de matéria-prima do CD para a fábrica, usa o mesmo modelo de documento. Veja também o apontamento de produção e o endereçamento de estoque.

A conta do ganho: quanto custa uma divergência de transferência

A divergência de transferência tem dois custos: o valor da mercadoria que sumiu e as horas gastas para descobrir onde ela foi parar.

Custo mensal = transferências com divergência no mês × (horas de investigação por caso × custo da hora + valor médio da diferença não recuperada)

Variável Seu número
Transferências por mês ___
Quantas fecham com divergência ___
Horas para investigar cada uma (inventário, ligação, conferência de nota) ___
Custo da hora da equipe ___
Valor médio da diferença que não se recupera ___

Se a sua operação tem 10 divergências por mês, gasta 3 horas em cada uma a R$ 40 por hora, são R$ 1.200 só de investigação, antes de somar a mercadoria. Com o trânsito numa posição visível e a falta lançada na conferência, a investigação começa no dia em que o caminhão chega, e não no inventário. Os números do exemplo são hipotéticos.

Na animação Transferência Fábrica-CD, os indicadores de referência são zero divergência entre fábrica e CD, 60% menos tempo do fim de linha ao endereço e 100% do estoque em trânsito visível e com NF-e. São valores ilustrativos da cena.

Quando não vale a pena (ou quando ainda não resolve)

  • Um único CNPJ e um único armazém. Não há transferência entre filiais a controlar.
  • Transferência com CFOP 5151 ou 6151. Como dito acima, o documento de transferência do 4LogOS não aceita esses CFOPs hoje. Avalie o seu fluxo com a gente antes.
  • Nota emitida fora e sem integração. Se você mantém outro ERP, o WMS do 4LogOS se integra a ele por API, e o formato é definido na implantação. Sem isso, a nota não chega ao documento.
  • Destino que não confere. O fluxo em duas etapas só funciona se alguém registrar a quantidade recebida. Sem conferência, a diferença continua escondida.

Próximo passo

Se a sua divergência mora entre a fábrica e o CD, veja como funciona a transferência entre filiais no 4LogOS, com NF-e, estoque em trânsito e conferência no destino, dentro do WMS e do ERP. Os planos estão em preços. Na demo, dá para ver o palete saindo do fim de linha com LPN e NF-e até o endereço no CD.

Perguntas frequentes

Transferência entre filiais precisa de nota fiscal?

Quando os estabelecimentos têm CNPJs diferentes, sim: a saída exige NF-e de transferência. Entre depósitos do mesmo CNPJ, é movimentação interna e não há nota. Confirme o seu caso com o contador.

Qual a diferença entre o CFOP 5151 e o 5152?

Em linhas gerais, o 5151 é transferência de produção do próprio estabelecimento e o 5152 é transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, ambos dentro do estado. Entre estados, os equivalentes são 6151 e 6152. A escolha certa para a sua operação deve ser validada com o contador.

Quais CFOPs o 4LogOS aceita na transferência entre filiais?

O documento de transferência do 4LogOS vincula NF-e autorizada com CFOP 5152 ou 6152. Notas com 5151 ou 6151 não são aceitas hoje. Entre armazéns com o mesmo CNPJ, a nota é dispensada.

O que é estoque em trânsito?

É a mercadoria que já saiu da origem e ainda não entrou no destino. Sem controle, ela some dos dois saldos e só reaparece no inventário. No 4LogOS, ela fica numa posição de trânsito do armazém de destino até a conferência, visível para as duas pontas.

E se chegar menos do que saiu na transferência?

Na conferência, o destino informa a quantidade recebida de cada item. O 4LogOS leva o recebido para a posição final e lança a diferença no kardex como perda em trânsito, com o motivo e as quantidades enviada e recebida.

Na prática, no 4LogOS

Ver como funciona no 4LogOS →

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